Prefeitos de diversas cidades de Alagoas debatem crise na produção do leite

Prefeitos de diversas cidades de Alagoas, em grande parte do Sertão, se reuniram nesta segunda-feira (20), na sede da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), em Maceió, para discutir a crise econômica vivida pela cadeia produtiva de leite no estado.

Além dos gestores públicos municipais, a reunião também contou com a presença de deputados estaduais e federais, da senadora da república Renilde Bulhões, além de representantes de classe de produtores de leite e criadores de gado de Alagoas.

A prefeita de Major Izidoro – uma das cidades de maior produção leiteira do estado – Santana Mariano, comandou os trabalhos e logo no início destacou que a crise nesse setor traz consequências para todos os municípios de Alagoas.

Como chegou a isso?

Dados levados na reunião apontam que Alagoas produz cerca de 900 mil litros de leite por dia, sendo que 80% da produção se concentra em 30 municípios. Isso faz do estado o quinto maior em produtividade do setor.

São mais de 25 mil famílias que dependem direta ou indiretamente do leite, sendo o segundo setor mais importante do agronegócio alagoano. Apesar disso, a cadeia do leite atravessa um momento de crise.

Entre alguns dos fatores para o problema estão a queda no preço do litro, somada aos constantes atrasos no pagamento do Programa do Leite tem comprometido essa cadeia produtiva.

Para piorar, o governo de Pernambuco sobretaxou em 6% o leite in natura que vem de Alagoas e outros estados. Hoje cerca de 20% da produção alagoana são vendidos a Pernambuco.

Sugestões

O presidente da Associação dos Criadores de Alagoas, Domício Silva, alertou para que a solução atenda aos dois Estados e a importância do fortalecimento dos pequenos produtores local.

André Ramalho, Presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas, destacou que Alagoas é o melhor estado para instar uma grande empresa de laticínio, pois já consegue comprar no próprio estado. “É hora do governo do Estado prospectar e trazer uma empresa láctea que absorva a produção”, ressaltou.

Uma outra sugestão também foi levantada pelo produtor de leite alagoano Luiz dos Anjos. “O Sertão precisa de sementes de palma como programa de estado para baratear os custos de alimentação dos animais”, afirmou.

Mais medidas

O deputado federal Isnaldo Bulhões disse aos prefeitos que uma série de medidas alternativas estão sendo tomadas junto com o governo estadual, para evitar mais prejuízos. Entre elas está a redução no ICMS do leite que sai de Alagoas para Pernambuco, a isenção de impostos sobre o leite e produtos beneficiados vindos da Bahia e Sergipe, e incentivos fiscais para que novas empresas possam se instalar no nosso estado.

A deputada estadual Ângela Garrote, que também participou do debate, acredita que defender a reabertura de indústrias tradicionais fechadas é um grande passo.

O deputado Davi Maia também defendeu a regularização do programa do leite que absorve 10% da produção local e a reestruturação da Adeal com a implantação do Sisb.PA., como já vem acontecendo em outros estados.

Com a interlocução do governo de Alagoas com o de Pernambuco já em andamento, o presidente da Associação dos Criadores, Domício Silva vai acrescentar a um documento que está sendo produzido todo o debate e sugestões feitas na reunião da AMA para que a solução se dê não apenas a curto, mas, principalmente, a médio e longo prazo.

20/05/2019

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